Começamos como um grupo de amigos que frequentava as oficinas de percussão do Rio Maracatu que queriam praticar e conhecer um pouco mais sobre o Maracatu de Baque Virado. Resolvemos nos reunir nos fins de semana pra tocar e trocar informações sobre maracatu e ritmos regionais. Daí surgiu o Maracutaia, em meados de 2005. No carnaval do ano seguinte saímos pela primeira vez com o Bloco de Carnaval do Maracutaia, pelas ruas de Santa Teresa. Desde então realizamos apresentações em diversos locais na cidade do Rio de Janeiro (Circo Voador, Teatro Odisséia, Unirio, PUC-Rio) e o grupo sofreu mudanças, seja no número de integrantes (hoje somos em 15, sendo 4 dançarinas e 11 músicos) e no seu repertório também.
2)B.B: Além do Maracatu, quais as outras influências populares do grupo?
O Maracutaia veio a se tornar uma Orquestra de Percussão Livre, fundamentada na Orquestra de Maracatu de Baque Virado; ritmos de todo o Brasil percorrem as trocas de informações dos componentes do grupo, ritmos africanos são naturalmente expostos em nossas relações musicais e pessoais, no palco trazemos Jongos, Baianás, Cocos, Aguerés, Ijexás alem do Maracatu nação; o Maracutaia se tornou um laboratório de pesquisa, sediado na etnohaus (www.etnohaus.com.br), com pesquisadores, músicos e amantes do tambor e da perspectiva ritmica da vida. Temos um componente que fundamenta e dirige a pesquisa musical do Maracutaia : Alexandre Garnizé.
3)B.B: Quais instrumentos vocês tocam nas ruas, o que os integrantes do grupo tocam em casa?
Quando nos apresentamos na rua, utilizamos basicamente todos os instrumentos de uma bateria de Maracatu de baque Virado: Alfaia (com tambores de afinação média, grave ou aguda), Caixa, Tarol, Xequerê, Ganzá(ou mineiro), Gonguê e agogô. Em alguns casos podem ser utilizados também djembês ou timbal.
4)B.B: Quais os projetos que o grupo desenvolve hoje?
Além do bloco de carnaval do Maracutaia, que desfila todo ano no Carnaval do Rio de Janeiro, realizamos ao longo do ano ensaios abertos , para divulgar essa cultura tão rica que é o Maracatu. Temos um projeto de dar oficinas, tanto de dança e percussão, isso sem esquecer do nosso projeto de palco, no qual realizamos uma pesquisa sobre o Maracatu, mesclando com diversos outros ritmos afro-brasileiros.
5)B.B: Quais objetivos daqui pra frente?
Pro verão pretendemos aumentar mais a frequência de nossos ensaios abertos, visando o Carnaval 2012. Queremos levar também nossas oficinas para regiões mais distantes do eixo centro/zona sul, levar para o subúrbio e baixada fluminense um pouco de nossa cultura afro-brasileira. Em 2012 vamos entrar em estúdio para gravar nosso primeiro trabalho.
6)B.B: O que você acha dessa enorme mistura de tendências que se dá na chamada "Música Contemporânea", e qual é o resultado disso na música e no público?
Com a globalização que temos hoje em dia, era de se esperar essa grande mistura de ritmos e tendências na música contemporanea, com referências dos mais diversos artistas. O Maracutaia é um retrato vivo dessa globalização, já que somos em sua grande maioria da cidade do Rio de Janeiro, e tocamos e trabalhamos com base em um ritmo vindo do Nordeste (Pernambuco) .
7)B.B: Como você vê o mercado da percussão no Brasil atualmente e qual o caminho que o novos percussionistas devem buscar pra se destacar?
O mercado só tende a crescer. Por conta da grande diversidade cultural no Brasil, ele é bastante amplo e abrangente, com os músicos se utilizando de referências de fora e de dentro do país inclusive. Por isso os percussionistas brasileiros são tidos como alguns dos melhores e mais versáteis musicistas. O caminho a seguir deve ser exatamente esse: das misturas ritmicas, se aproveitando de todas as fontes, sem preconceitos.
8)B.B: Um recado para os novos e antigos percussionistas e pra galera do Batuque.
Alô batuqueiros, nós do Maracutaia mandamos um grande salve e muito axé para todos. Não se prendam demais a um só ritmo, por melhor que seja. Toda música tem sua relevância e podemos aproveitá-la, reinventá-la.
9)B.B: Horários dos próximos eventos e shows.
Estamos com ensaios abertos do bloco do Maracutaia pelas ruas do Rio de Janeiro, nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. Planejamos ainda para o verão realizar um Baile na Lapa, onde mais uma vez exploraremos ritmos da mesma matriz do Maracatu, mas sempre procurando trazendo novidades e fundamentos rítmicos de nossa cultura afro-brasileira. Para maiores informações, basta acessar nosso site (www.grupomaracutaia.com.br ) e nosso perfil no facebook: http://www.facebook. com/grupomaracutaia
E estamos organizando agora pro dia 18/12 um encontro de batuqueiros no aterro do flamengo, pra confraternização dos grupos cariocas e pra quem mais estiver na cidade. Nos vemos lá, um abraço!


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